Márcio Lopes, o criador de vinhos que dá nova vida a uvas esquecidas

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Apadrinha as vinhas velhas e as castas mal amadas, experimenta e procura descobrir-lhes o potencial para criar vinhos especiais e com caráter, que são a expressão da terra e das gentes. Como enólogo e produtor, o que o motiva é “esticar o elástico”, e reinventar-se a cada ano.

Durante a infância, Márcio nunca perdia a oportunidade de ir para casa dos avós paternos, pequenos lavradores do Vale do Sousa, onde trocava a vida do Porto por um mergulho no campo. Foram essas vivências que o influenciaram a tirar o curso de Engenharia Agronómica, em 2001, e mais tarde, acabou por se especializar em Enologia.

Nos dias de festa, recorda, havia sempre um copo de vinho fino, comprado pelos avós a viticultores do Douro, e daí nasceu uma grande vontade de fazer vinho do Porto. Desejo que concretizou, não sem antes se render aos Vinhos Verdes, numa primeira vindima em Melgaço, a convite de Anselmo Mendes, com quem trabalharia até 2008. Seguiu-se um par de anos na Austrália e, em 2010, regressou para abraçar dois projetos a solo, o Pequenos Rebentos, em Melgaço, e o Proibido, no Douro.

A dificuldade em encontrar quem lhe vendesse uva ditou-lhe o caminho. “Fui ficando com aquelas vinhas que ninguém queria, que eram as ramadas e os enforcados, e no Douro com aquelas vinhas velhas que têm castas tintas e brancas misturadas”, diz. Fez sua missão recuperar e trabalhar essas vinhas, “tentando perceber o que é que dali poderia sair”, e dar nova vida a castas em desuso, tradicionais de cada região.

Muito da sua forma de pensar os vinhos, sobretudo os tintos, deve-se a uma prova cega, feita há uma década. “Provei um Romanée-Conti La Tâche de 2009, que é um Borgonha feito com Pinot Noir, e não o consegui classificar. Percebi que não era eu que estava a avaliar aquele vinho, era o vinho que estava a ensinar-me algo a mim. Nós temos castas como o alvarilhão, o pedral, o bastardo e o mourisco, com muito pouca cor como o Pinot, também muito difíceis de trabalhar na vinha, mas que nos fazem puxar o elástico para perceber o que é que aquilo pode dar e fazer vinhos. Hoje em dia temos o Pequenos Rebentos Atlântico, nos Vinhos Verdes, o Proibido Clarete e o Proibido Marufo no Douro, que resultam da minha procura de, com castas tradicionais e mais antigas, ir buscar um bocadinho o sentido desse vinho. “Se temos um património vitícola tão vasto, faz sentido mostrar o que é nosso”, conclui o produtor.

Novos projetos
Além dos Vinhos Verdes e do Douro, Márcio tem ainda um pequeno projeto na região da Ribeira Sacra, em Espanha. No ano passado, começou um novo trabalho no Dão, em parceria com a Herdade do Rocim, e um outro nos Açores

Márcio Lopes Winemaker
Web: facebook.com/marciolopeswinemaker

Fonte (Imagem e Texto): Evasões